sexta-feira, 22 de maio de 2009

Um dia de Domingo




Era um domingo lindo de Sol no Rio de Janeiro.

Ainda no sábado decidimos que faríamos um passeio diferente.

Nada de ir à praia no Leblon, meu irmão queria que eu e minha amigas conhecessemos sua nova namorada. Decidiu que nos levaria ao Parque da Cidade em Niterói.

Pra quem não mora no Rio, Niterói é a cidade irmã, separada apenas pela Baía de Guanabara, e unida ao Rio por uma ponte. Os cariocas costumam dizer que o melhor de Niterói é a visão que se tem do Rio. Uma maldade.

Pois bem, mulambada dentro do carro, partimos contando nossas peripécias do dia Anterior, quando fomos ao Morro da Urca assistir Maria Rita cantar, mas, esse é assunto para outro post.

Chegamos em Niterói, fomos ao Parque, fotos, parecia até que teríamos um dia normal. Hehehe.

Depois do parque, decidimos passar o dia na Praia, e fomos até Camboinhas, uma praia bastante agradável da região oceânica de Niterói. Bem, ao menos até aqui.

Como diria Maurício Baia, praia lotada Véio, lotada! No melhor estilo sou -farofeiro -e -não -desisto -nunca.

Após quase implorar uma mesa, conseguimos. Aqui, eu já estava me sentindo em Porto Seguro, num daqueles grandes quiosques que têm por lá.

Bem, imaginem vocês a situação: um casal recente e três amigas solteiras. Revezavamos as idas ao mar, afinal, por essas bandas , não convém largar os pertences na areia. Além de analisar a nova integrante, tomávamos nossa cervejinha, sol a pino beirando os 41 graus. Um típico dia de verão.

Eu, malandrinha que sou, resolvi beber pouco pra me refazer do dia anterior, e por conhecer os riscos de uma insolação associada ao álcool. Ví, bebia agua também , mas, Bibi se empolgou com a gelada e mandou ver.


O cocô do Homem-Aranha


Em uma de nossas idas a água, estávamos animadinhas conversando, quando percebi que um rapaz se aproximava com o filho ( um bebê de aproximadamente um ano) e sua sunga e bóia do Homem Aranha.

O cara jogava a criança pro alto repetidas vezes, o que me fez acreditar que a cerveja dele também estava bem gelada.

Aqui, cabe uma ressalva: Sou uma pessoa extremamente sociável, simpática...enfim, uma querida, mas, não me sinto bem em lugares lotados, menos ainda quando esse lugar é o mar.

Vai ver que é porque morro de medo de tubarão e tal, e sempre acho que se aparecer algum, precisarei de espaço pra sair correndo. ( sim, correndo, por que não conseguiria me lembrar qualquer técnica de braçadas aprendidas na natação aos 6 anos).

Então, quando percebi a aproximação do Pai-cachaça-do-homem-aranha, me afastei. Sexto sentido, provavelmente, por que as meninas ficaram um pouco mais perto da areia, e eu fui nadando pro fundo, quando ouví a seguinte e inacreditável frase:



- ÊEE!!! Vamos lavar esse BUNDÃO de CÔCO??? Vamos???
E sem o menor pudor, tirou a sunga do bebê, girou no alto simulando um striptease e lavou o bumbum nas águas calmas de camboinhas. Bizarro!!!


Quase me afoguei, mas, por uma questão de saúde pública, decidi manter a calma , e a boca e os olhos longe da água. Tentava a todo custo afastar a água que me cercava e pedi inúmeras vezes para que Deus, Iemanjá e Netuno me protegessem dos coliformes fecais naquele momento. Olhava pras amigas com cara de desespero, pânico. Sabia que pela correnteza essa aguinha do Bundão de Côco do Homem-Aranha iria banhá-las em segundos, mas, a cerveja que estava no organismo delas impediu que elas entendessem o que eu dizia.


Levei uns 10 minutos pra voltar, ignorando solenemente os chamados e acenos das meninas. Quando o terrorista da saúde pública saiu do mar, voltei pra perto delas, mas, devido ao teor alcóolico achei melhor permanecer calada quanto à cena ocorrida. Seria melhor falar depois , e aquela altura, de nada adiantaria mais. Sou uma pessoa discreta, diferente da Ví, que com certeza iria se desperar e gritar em alto e bom som que estava na Merda, literalmente. Elas estavam sim, banhadas em uma aguinha de cocô heróico.




Como não permanecer mais que um minuto na fila do Restaurante



O dia seguia seu curso, o casal com aquela cara de caneca em inicio de namoro, nós, as amigas , falando e bebendo sem parar, o sol rachando a moleira. A fome foi aumentando em progressão geométrica, e meu irmão, animado em nos apresentar novos lugares, decidiu que almoçaríamos em um restaurante de frutos do mar. Unanimidade entre nós, saímos da praia e fomos em direção ao chuveirinho que havia no quiosque parar retirar a água de sal.

Ví foi a primeira a entrar no chuveirinho e Bibi em seguida.

Claro que, na minha vez, a água do chuveirinho acabou e o rapaz do Quiosque disse que após ligar a bomba ela voltaria em 20 minutos. A fome não me deixou esperar e segui para o carro ouvindo Ví cantarolando que eu havia me dado mal e ficaria salgadinha. Olhei pra ela, e soltei uma grande gargalhada. Ela não entendeu, mas, na hora pensei comigo que Deus realmente sabe o que faz. Eu, ao menos estava com sal, já ela, banhada em cocô. O banho deveria ser prioridade de quem?? Hehehe


Ao chegarmos no carro, um fudevu de caçarolê como diz meu Pai. Eram 14:00, milhares de pessoas chegavam a praia enquanto nós, os famintos, queríamos sair. Isso associado aos flanelinhas presentes fazem você se sentir em Nova Déli. Ví, já " calibrada" avistou um carro rosa, Um Fox, cujo o estofado era de oncinha. Nada discreta, foi falar com a dona do carro que havia adorado e tal... impedindo a passagem dos demais carros com sua súbita e alcoolica simpatia, por alguns momentos achei que seríamos linchados, porém, mais uma vez percebi que realmente estávamos num dia " Iluminado" e tudo correu bem. Ar condicionado ligado, todo mundo fritando dentro do carro, seguimos para o restaurante que parecia ser em outro estado. Quando estamos com fome, tudo é longe.

No caminho, percebi que Bibi falava pouco, e que no trajeto que durou cerca de 15 minutos, ela dormiu uns 13. Mas, eu também estava com sono, até aí, tudo normal.

Chegamos ao restaurante, e ao descer do carro, tive a certeza que havíamos chegado ao Astro Rei. Um calor escaldante, parecia ainda pior após ter passado um certo tempo no ar condicionado.

A surpresa desagradável fez o calor aumentar. Na porta do restaurante uma fila de aproximadamente 20 pessoas. Todo mundo teve a mesma brilhante idéia que meu irmão. Comer camarão estava virando um programa de índio -sete-cocares, após a votação decidimos permanecer na fila. Eu praticamente via a faixa do climatempo dizendo: Indíce de raios ultra violeta extremo. Estava derretendo, então, pra não ficar ali parada na fila, tive a idéia de fotografar a praia. Estávamos em Jurujuba, uma pequena praia que tem uma vila de pescadores. Lindos barquinhos ancorados, uma linda vista da Praia de Icaraí a frente, um prato cheio pra quem ama fotografar como eu. Acho que fiquei por alí uns 5 minutos apenas, à sombra de uma linda amendoeira.

Quando voltei, olhei para Bibi e a achei bem pálida. Ela estava com as mãos na face e Ví perguntando o que estava acontecendo. Ví já mostrando sinais de descontrole absoluto, começou a falar muito alto que Bibi estava muito branca, muito pálida, horrível. Só deu tempo de ouvir um sussurrado " Acho que vou desmaiar". Apoiei ela com os braços e fui furando toda a fila pedindo licença desesperadamente, e meu irmão atrás de nós, dizendo para que eu a levasse pra dentro do restaurante. A namorada permaneceu na fila.

Aqui, armou-se mais uma vez o circo. Bibi já desacordada não conseguia se manter em pé, e eu , já estava sem forças. Invadimos o restaurante feito desenho animado. Uma cena dantesca.

Ví veio atrás de meu irmão proferindo a frase que posteriormente ficou famosa:


- Ela tá passando mal!!! Passando mal!!


Chegamos até a porta do banheiro do restaurante. Se tratava de uma pia, espelho, uma cadeirinha e mais a frente tínhamos as portinhas dos banheiros propriamente ditos. Praticamente um lavabo , perfeito para apoiar Bibi e molhar a face e nuca. Ví veio logo atrás ainda gritando , e ao entrar no recinto levou a mão a boca e gritou:


- Nossaaa!! Que cheiro de cocô horrívelll!!! Tira ela daí que ela vai piorar. Aiiii, cheiro de Cocô horrível!!!! Não tá sentindo não????


Realmente , havia um cheiro insuportável no local, coisa que meu nariz identificou assim que entramos, mas, que aquela altura do campeonato não fazia a menor diferença pra mim. Eu estava realmente muito preocupada, e ignorei o odor fétido. Olhei pra Ví e me lembrei do Homem-Aranha. Ainda bem que ela havia usado o chuveirinho ao sairmos da Praia, senão o cheiro poderia estar mais próximo a ela do que ela supunha.


Assim como eu, meu irmão também é Médico Veterinário, e apesar de não sermos Médicos Humanos, sem dúvida nenhuma erámos os mais indicados para tentar ajudar Bibi, até por que a namorada nem sequer saiu da fila, e Ví continuava descontrolada , berrando no salão principal do restaurante a frase inicial :


- Ela tá passando mal!!!! Genteeeee, passando malllll!!!


Pude perceber de relance o pânico na face dos clientes. Acho , que se estivesse ali vendo aquela cena, largaria o prato e pediria a conta. Todos olhavam assustados e analisavam minunciosamente nossos movimentos. Bibi, levantou a cabeça e balbuciou uma melhora. Como alegria de pobre dura pouco, dois segundos depois apagou de vez, com os olhos entre abertos. Nessa hora percebi que definitivamente meu cérebro é um espetáculo da natureza, enquanto eu rezava uns vinte pai-nosso, segurava Bibi, e pedia para que meu irmão pegasse sal e coca -cola. Eu imaginava que das duas uma; ou ela desmaiou por hipoglicemia ( aqui, o refrigerante faria seu trabalho de xarope), ou por hipotensão ( o sal resolveria). Ví, resolveu segurar em minha mão, clamando minha atenção, e quando a olhei, ela me disse chorando e pálida:


- Amiga, eu também tô passando mal. Acho que vou desmaiar.


Olhei pra ela com uma cara de pouquíssimos amigos e disse:


- Não vai não. Agora é a vez da Bibi desmaiar. Se você cair, vai ficar aí no chão. Pára de palhaçada.


Ela melhorou rapidamente e seguiu gritando quase que robóticamente a mesma frase.


Meu irmão é um cara extremamente calmo, paciente, pacato mesmo. Bem diferente de mim. Mas, em situações desse tipo, é praticamente impossível se manter sereno, e enquanto Ví fazia um novo percurso e , agora, ao invés de berrar na porta do banheiro, havia escolhido berrar na porta da entrada ainda a frase " Passando mal", Brodinho foi até o salão principal , avistou o Gerente, que já rodava feito louco sem saber o que fazer e pediu uma coca. Depois seguiu para uma mesa grande, de uma familia de aproximadamente 10 pessoas, e se jogou por entre as cadeiras por cima da mesa, gritando serenamente e repetidas vezes :


- Sal, sal, sal, sal, sallllllllllllllll!!!!!!!!!!!!!!!!


Após derrubar alguns copos da mesa, e quase jogar uma menina e sua cadeira ao chão, Brodinho voltou correndo para o Banheiro com uns 10 saquinhos de sal na mão.


Bibi , totalmente desacordada, foi por nós deitada ao chão; meu irmão pediu para que eu levantasse suas pernas, e enquanto eu fazia isso, abri sua boca para derramar o sal. Achei que seria mais conveniente esperar que ela acordasse para dar a coca, até porque nesse momento , o sal mais a coca daria uma reação , digamos explosiva.


Ao fundo, eu ainda podia ver Ví se sacudindo toda e gritando:



- Ela tá Passando Mal!!!!!!!!!!!


Aos poucos, Bibi começou a melhorar, e foi se levantando com nossa ajuda. Já era perceptível a cor voltando a sua fase, e a temperatura se normalizando. Primeiro apoiamos ela na cadeira que havia no lavabo, e depois na própria pia. Já de pé, encostada na pia, Bibi perguntava o que exatamente havia acontecido. Ainda estava atordoada com tudo aquilo e não fazia idéia do fuzuê que criamos no restaurante.


Ví, um pouco mais calma e falando um pouco mais baixo ( bem pouco), se aproximou de nós e disse chorando :


- Bi, achei que você fosse morrer. Não faz isso nunca mais.


A descarga de adrenalina saiu de uma só vez de mim, com uma enorme gargalhada. Ao mesmo tempo que fiquei aliviada por Bibi estar bem, veio a minha cabeça , em segundos todas as cenas bizarras que eu havia presenciado até ali. Bibi, também riu, sem saber o por que.

Ví , furiosa, falou entre os dentes:


- Suas ridículas!! Parem de rir!!! As pessoas vão achar que foi tudo encenação. Vocês estão malucas?? Parem de rir AGORA!


Eu, como não conseguiria esse feito, após todo o estresse, resolvi sair do restaurante, e no caminho, parei o Gerente para me desculpar pelo circo armado no seu estabelecimento. Atrás de mim, Vi e Bibi também agradeciam , quando ele , soltou a pérola:


- Nossa, mocinha, você já está rindo... ficou bem rápido, né?? Será que foi só pra conseguir uma mesa mais rápido?


Nem tive coragem de olhar pra trás. Mas, senti que Ví bufava.


Realmente, depois do ocorrido, havia uma mesa prontinha pra nós. Lá fora, a cara das pessoas que esperavam um lugar e estavam a nossa frente ainda era de pânico. Todos perguntavam se estava tudo bem. Entramos , escolhemos nosso almoço, e após protagonizarmos o espetáculo de domingo, um delicioso Bobó de Camarão, muitos agradecimentos e uma bolsinha com gelo, saímos.


Do lado de fora, enquanto tomávamos nossos sorvetes, ríamos da situação, e cada um contava em detalhes as cenas que o outro havia estrelado no meio do pânico.


Nesse momento, uma moça que estava do lado de fora, olha pra Bibi e diz com voz de carioca-tatuada-da lapa-cheia -de -manguaça-pseudo-adolescente:


- Cê tá melhorrrr??


Bibi, ainda sem graça, responde:


- Tô sim. Deve ter sido o sol, calor. Estava na praia e quase não comí.


Nossa nova amiga-jornalista-do-babado acrescenta:


- Brabo, né? Difícil a beça.



Dez passos depois, eu, engraçadinha que sou, estava imitando a forma de falar da menina e me acabando de rir, quando Ví, bem discreta aponta para o outro lado da rua e rindo diz:


- Olha alí!! A barriga de chopp daquele homem. Enormeeee!!!!


Quando olhei, quase tive um piri-paque. A dita barriga enorme , era uma Ascite, uma doença, provavelmente em função de algum problema cardíaco/hepático/sei lá que doença seria.


- Ví, sua maluca! Cala a boca, o moço tem uma doença. Aquilo não é barriga de chopp animal!!!!


Entramos no carro com Ví se desculpando, dizendo que era Advogada e não médica e não teria a menor obrigação de saber que aquilo se tratava de um tipo de doença.



Coitadinho do Plural



Voltamos rindo de toda a situação, e achei, que naquele momento cabia a revelação do Homem-Aranha. Foi hilário ver Ví e Bibi quase se jogarem pelo vidro , e depois, duvidarem veementemente da minha afirmação de que elas estavam sim, carregando consigo os coliformes baby.

Ao chegarmos próximo a casa da namorada do meu irmão, ( acreditem , ela ainda estava lá) Ví apontou e disse surpresa:


- Meu Deus!!! Dois homens com duas barrigas grandes em dois dias!!!!


A risada foi geral, e , ela sem entender, ouvia meu irmão repetir a frase que ela acabara de dizer. Juntou-se a nós na gargalhada.


E quando eu achava que o estoque de risadas havia chegado ao fim, Ví novamente aponta para a rua e grita:


- Ahh, não!!! Isso não é possível!!!! Olha lá... Outro carro rosa!! Tô impressionada!! Dois carros rosas em dois dias é demais.


4 comentários:

  1. Demaissss...Muito bom meessmo. Essa história é a melhor. Não tem igual. Adorei amiga. Muito bem escrita. Ri de doer a barriga...Melhor q isso, só contada pessoalmente por vc qdo tá a galera reunida....hahahaha Inesquecível...bjus

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  2. Luiiii,
    Chorei de rir!!!! Adoreiiii!!!!
    Lembrei logo das suas imitações em Terê e galera rindo muito!!!
    Esse dia foi demais!!!
    Brabo neh?????kkkkkkkkkkkkkkkk
    Bjokas!!!
    ;-)

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  3. Quase morri de rir...
    bjsssss

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  4. Concordo que pessoalmente é melhor...rs
    Até pq , o mais engraçado é imitar a Ví se sacudindo toda...hhehehehe
    Não sei pq quandoa gente se junta, sempre dá esses Bleibleides...rs
    Vou contar pra Tatá a historinha...imitando a Ví...hhehehe

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