quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Minha vida em 100 textos...


O tempo passa rápido mesmo.

Desde o dia que resolvi escrever por aqui a primeira vez, já foram 1oo posts.

O mais legal disso, é que percebo exatamente cada sentimento em cada um deles.

Lambo a cria sempre que não tenho nada pra fazer e me divirto, me emociono, me lembro de cada um deles como se os tivesse escrito há poucos minutos.

Tanta coisa aconteceu nesse tempo...

Tanta coisa mudou em minha vida.

Pessoas passaram e deixaram suas marcas , outras se firmaram em meu grupo de amigos.

Tive decepções, alegrias...

Muita história pra contar.

Momentos hilários.

Momentos emocionantes e muitos inesquecíveis.

De verdade, eu não imaginei que seria tão bom escrever o que se passa.

Fica como um registro.


Obrigada a todos que passam por aqui e que não deixam seus comentários, obrigada pelos elogios recebidos, e claro, obrigada aos que fazem questão de escrever algo, mesmo que para me zoar...rs


Ah... e como não poderia deixar de ser, minha vida segue em eterna mudança, sempre positiva e isso me deixa cada dia mais feliz.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

O céu pode esperar ... ( Com cerveja.)


A história a seguir é verídica, apesar de absurda.

Foi contada por um colega de profissão e me rendeu horas de dor na bariga de tanto rir.

A explicação segue assim:



Na década de 70 havia um grupo de amigos num suburbio carioca.

Aqueles caras malandreados, boêmios, e amigos mesmo.

Dentre eles, Valtinho, Walti Cabeção, João Tenudo, Marreco eram os principais.

Um belo dia, Walti Cabeção partiu. Por complicações hepáticas e dizem as más linguas cirrose mesmo.

E no velório, seus melhores amigos foram para um bar, ao lado do cemitério para " Beber" o defunto.Walti Cabeção sempre disse que queria festa no enterro e, claro, cerveja.

Um problema na liberação do corpo fez com que o velório se estendesse, e com isso, os amigos permaneceram no bar.O que deveria ser apenas um brinde, claro, virou um porre.

Eles lembravam as histórias da juventude e riam. Walti cabeção era um ícone. Um boa praça, bom marido ( na medida do possível), bom amigo.

As histórias eram sempre alegres.

Os amigos bebiam, riam, choravam a saudade do amigo.

Algumas horas depois, alguém veio até o Bar chamá-los. O corpo de Walti Cabeção havia sido liberado.

João Tenudo saiu do Bar carregando 2 garrafas de cerveja. Era pra mandar junto ao caixão.

Chegaram na sepultura causando aquele furduncio.

Dona Emilia, a viúva, apenas chorava. E por incrível que possa parecer, permitia sem o menor pudor aquela manifestação.

João Tenudo já chegou " calibrado", mandando abrir o caixão.Os coveiros olharam para a viuva, que permitiu com a cabeça.

João iniciou o discursso:


- Vai com Deus meu irmão. Mas, leve essas geladas aqui com você, já que a gente não sabe se no céu tem a nossa cervejinha, né?



E chorando, colocou as duas cervejas dentro do caixão.

Ao longe, ouvia-se um murmurinho estranho, um dá licensa meio torto.

Era, Valtinho, que tropego, chegava carregando mais 4 garrafas.


- Peraê!!!!! Aêêêeee... esperaaaaaaaaaaaaa


E passando por cima das sepulturas vizinhas, esbarrava nas pessoas que acompanhavam o cortejo com pressa.


- Waltiiiiiiiiiiiiiiiiiii...não vai não Waltiiiiiii... Ô Emiliaaaa... Querem mandar o Walti embora Emilia....


Dona Emilia , coitada, era mesmo uma santa. Além de aturar as cachaçadas do marido, ainda aturava os amigos.

E nem quando o pobre descansou, eles a deixaram em Paz.


- Emilinhaaaaaaa... Sic....Manda abrir a casinha dele de novo, Emilinha..... gritava Valtinho sem pudor.


Dona Emilia, já sem graça, pediu novamente com a cabeça para que os coveiros abrissem o caixão.


- Leva mais quatro Walti... Leva mais quatro, por que duas não vai dar não. Lá em cima tem o Cabresto, O Zé Lira, o Altairzinho e o Seu Tonho ... Duas não dá!!!!!


E com isso , colocou mais quatro garrafas de cerveja no Caixão do Walti Cabeção


.-Agora pode fechar, Emilinha!!! Vai com Deus , meu irmão. Mas, deixa " nós" aqui, tá? "Nós" tá sem pressa de subir. Já tem gente demais lá em cima pra te fazer companhia...dá até pra jogar uma biribinha.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Pelezinho




Pelé se tornou o meu cachorro há uns 2 anos.

Foi num sábado, com a clínica lotada que recebi a notícia do falecimento de sua antiga dona.

Uma velhinha simpática, que antes de falecer, deixou seu vizinho avisado que , caso acontecesse algo com ela, o Pelé teria que ser nosso. Os outros cães, poderiam ser doados, mas, o Pelé, não.

E foi assim.

Da noite pro dia, eu tinha um cachorro.

Aliás, o cachorro mais malandro que já conheci.

Ele era carioca e lapeiro, com certeza.

Sua antiga dona, apareceu em sonho para muitos pedindo para cuidar dele.

Sempre que pensávamos em doar o pelé, por algo que ele aprontava, ela desencorajava a todos.

Ninguém queria se indispor com a galera lá de cima.

Todo mundo que trabalha na clínica tem uma história engraçada pra contar do Péle.

Nos ultimos tempos, ele queria fugir. Não podia ver a porta aberta que saia sem rumo. Terrivel ter que sair correndo pela Avenida movimentada berrando o Pelé.

Pelé foi enquadrado em vários artigos do Codigo penal.

ROubo era com ele mesmo.

Roubava almoço, lanche, biscoitos da nossa mão. Aguardava o término do almoço da galera pra ver se sobrava uma "coisinha " pra ele.

Já apanhou de Pitbull, de gato...

Era um vira-lata na essencia da palavra.

Uma das histórias dele que eu mais gosto foi em um dia que eu não estava de plantão.

Passei na clinica cedinho pra resolver umas coisas rápidas e em seguida, iria pra praia.

Como eu AMO café da manhã, antes, passei numa padaria que vende coisinhas maravilhosas e levei vários pães recheados.

De frango, calabresa, queijo e presunto...enfim... só coisa boa.

Ao chegar, fiz o café e avisei aos demais que havia esses quitutes.

Paulo, se adiantou e tomou café comigo.

Pelé estava eufórico. O cheirinho não o deixava em paz. Sua alma de tomba -lata estava animada.

Ao sair, avisei a todos do perigo que corriam se deixassem aberta a porta do refeitório.


Uma hora depois, já na praia, recebo a ligação.

Meu irmão, que também trabalha lá estava desesperado no telefone.

Deixou a porta aberta, e Pelé, fez a festa.

Comeu todos os pães.

Dizem que pasou o resto do dia dormindo.

Carboidrato demais.


Ontem, meu malandrinho se foi.

Estava bem doente há alguns dias.

Espero que agora ele descanse em Paz, no reino dos animais.

Mas, o mito vai sempre existir.

O Rei da malandragem jamais irá pérder a sua majestade.



quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Ser Médica Veterinária





Hoje é dia do Médico Veterinário, e , eu, apaixonada pela minha profissão , não poderia deixar de escrever algo, apesar da pouca inspiração.

Quando eu era pequenininha, me lembro perfeitamente de ter respondido várias vezes que seria Veterinária. Quando alguém dizia que ao longo do tempo eu mudaria de idéia, eu dava um sorrisinho de canto de boca. Sabia que seria sim. Eu consigo tudo o que eu quero, e com a minha profissão não seria diferente.

Cresci, fiz vestibular, amarguei um ano fazendo Fisioterapia, e , finalmente, fui fazer Medicina Veterinária.

Ao longo desse período , muita coisa mudou em minha vida. Passei por problemas graves, mas, a certeza de ser Veterinária jamais me abandonou. ( Sou uma mulher de muitas certezas. Hehehe)

Na faculdade, fiz amigos pra vida toda. Aprendi a dividir, a ouvir, a dar conselhos. Aprendi a amar pessoas que talvez eu jamais encontrasse em outras situações. Pessoas bem diferentes de mim, e algumas bem parecidas também.

Minha profissão é tão importante quanto qualquer outra, definitivamente eu não sou melhor do que ninguém, mas, confesso que me orgulho de ser Veterinária.

É bom demais poder ajudar um cachorrinho doente.

Livrar um gato de uma intoxicação.

É bom poder viver daquilo que eu amo , e , acordar todo dia , com a certeza de um novo desafio.

Há 7 anos eu comemoro essa data da melhor forma possível, e , hoje, não vai ser diferente.

Mas, revendo as cartinhas da infância e bilhetinhos da adolescencia, me surpreendo ao ler que assinava como Dra Lui.


Ser bruxinha tem dessas coisas.

A gente deseja e o Universo conspira.


Parabéns a todos os Médicos Veterinários que amam de verdade nossa profissão.




" A compaixão para com os animais é uma das mais nobres virtudes da natureza humana"


Charles Darwin

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

A tarada da Benzetacil


Fiquei um tempinho longe, né?

Tô com a imunidade bem fraquinha esses dias, amargando uma amigdalite daquelas que uma vez por ano me derrubam.

Daí, me lembrei que no ano passado, mais ou menos nessa mesma época passei por esse perrengue.

Começou assim:


Estava no plantão numa terça-feira, senti uma leve dor de cabeça e um pequeno mal estar. Nada demais. Dia de plantão é dia de mal estar...hehehehe

Mas, naquela terça eu teria ainda um evento de Medicina Veterinária para ir. Já havia confirmado a minha presença e a da Ví ( a Ví sempre é arrastada por mim para os eventos...apesar de ser Advogada, eu gosto de manter meu Jurídico informado dos novos lançamentos...nunca se sabe, né?? Hehehe)

Muito bem, chegamos no evento e eu sentindo um frio descomunal. Meu quadro piora num,a velocidade impar... queria que fosse assim pra outras coisas também, mas...rs

Passei a palestra toda mal. Cheguei a dormir achando que ninguém havia percebido.

Ví me acordou algumas vezes apavorada. Os diálogos eram sempre carinhosos:


- Animal!!!! Você está d-o-r-m-i-n-d-o?? Não acredito!!! Acorda, PELOAMORDEDEUS... Já pensou se alguém vê isso???


- Amiga, tô mal, cara. Assim que acabar essa palestra, vamos embora daqui.


_ Mas, e a confraternização??? Não acredito que a gente vai embora na melhor parte.



As confraternizações são sempre as melhores. Um bando de Médico Veterinário contando seus piores e mais engraçados "causos" , regado a cervejinha, escocês e outras bebidinhas interessantes. Ví sabia muito bem o quanto seria difícil eu largar o osso na melhor parte. E pra ela também.


Bem, a palestra demorou uma eternidade , e quando acabou, peguei minha bolsa, olhei pra ela, e quando fiz o gesto de ir embora, o PROPRIETÁRIO da empresa em questão chega na nossa mesa e inicia o diálogo:



- Dra... que prazer enorme te-la aqui!! Mesmo a senhorita tendo passado boa parte da palestra DORMINDO, tenho certeza que foi proveitoso, né??


Ví nem me olhava mais. Virou para o lado na tentativa de ao menos livrar a sua cara de tamanha vergonha.


- Pois é, Dr. Acontece que eu tô passando muito mal, batendo dentes de frio e com uma dor de garganta repentina. Não sei o que aconteceu, mas, acredito que a medicação tenha provocado esses efeitos colaterais. ( Médico quando se junta , adora falar difícil...rs)


- Meu DEUS!!! - disse o querido ao colocar a mão sobre minha testa- Você está com muita febre!!


- POis é...será que faz mal eu tomar o antibiótico que vocês estão lançando?? Hehehe


E assim o assunto se estendeu, e saímos de lá por ultimo apagando as luzes. Eu nem sabia mais como conseguia me manter de pé.

No dia seguinte iríamos pra minha casa, Ví estava de férias e eu de folga.

A quarta feira foi longa. Assim que chegamos eu capotei na cama. Acordei poucas vezes e sempre pior a cada vez. A noite, no meu ultimo suspiro de dignidade pedi para que Ví e Brodinho me levassem ao Hospital. Eles viram que a coisa realmente estava séria.

Ao chegarmos, nem me lembro do tempo que demorou.

Eu apenas dormia. Me apoiava nas paredes, bancos , enfim e dormia.

Não tinha forças pra nada. Achei mesmo que fosse morrer.

Apesar do drama, fui encaminhada para o consultório e quando entrei dei de cara com um MENINO que no máximo era recém formado. Nada contra, quando não é a sua garganta que está na reta.

Após explicar meu quadro súbito, e as medicações que eu já estava tomando, o Médico vira pra mim com uma tranquilidade absurda e diz:


- Muito bem. Já que você iniciou o tratamento, o que me resta é indicar-lhe uma aplicação de Benzetacil. A diferença é que você tende a melhorar mais rápido.


Pra mim, aquilo era música. Qualquer coisa que ele dissesse eu aceitaria. A dor era desesperadora. MESMO.


- Sem problemas , Dr. Pra onde vou?


- Aguarde na enfermaria, que o enfermeiro já vai lhe medicar.


Ao chegar na enfermaria, ví uma linda maca convidativa. Claro que não pensei duas vezes e mergulhei na maca. Minutos depois chega o enfermeiro.


- Srta?? Bem, Hoje em dia, a Benzetacil é aplicada apenas no Glúteo. Então, por favor...


E o que a LOUCA fez??



ABAIXEI AS CALÇAS ATÉ O JOELHO para que ele aplicasse a maldita. Senti uns barulhinhos de risos e tal, mas, não pude acreditar que eu ali, quase morrendo e Ví e Brodinho fariam gracinhas.


O enfermeiro meio sem graça, aplicou a maldita quase que nas minhas costas. Doeu muitoooooo.

E pediu para que eu ficasse uns 10 minutos na maca para ver se teria alguma reação.


O cara saiu e eu me deitei. Quando fechou a porta, Ví e meu irmão começaram a gargalhar horrores. Eu ainda grogue, sem saber bem o por que daquilo e eles quase sem ar, diziam:


- Sua louca!! Pra que você fez isso?? Não tinha necessidade de mostrar a BUNDA dessa forma.

Meu irmão falava sem parar um " Que vergonha", enquanto Ví, seguia com seu discursso de que eu era assim mesmo, fácil e queria mostrar a bunda por que estava malhando.


Até hoje , eles lembram disso e perguntam:


- E aí?? Vai uma Benzetacilzinha???


Hehehehe